Devaneios & reminiscências

Com risco calculado e providências complementares de medidas de proteção contra a corona 19 me permito o luxo de almoçar com um dos meus filhos e netos, em Camboinha.

Depois do almoço fomos para o terraço jogar conversa fora e relembrar reminiscências.

Foi quando subitamente me veio a lembrança de uma pessoa que em vida foi meu ídolo, meu guru.

Refiro-me ao Desembargador Paulo de Morais Bezerril.

Morávamos tête-à-tête, na Av. Almirante Barroso.

Dr. Paulo era uma pessoa humana desprendido de vaidades, muito inteligente e culto. Era um Templo de saber jurídico.

Além de desembargador era professor universitário e exímio flautista (tocava flauta transversa).

Inúmeras vezes disfrutei de sua companhia, quer nos saraus em sua casa nas quintas-feiras, ou no seu terraço a ouvir amenidades e jogar conversa fora.

Nos saraus, nos quais eu era assíduo frequentador participavam excelentes músicos amadores, como Rivaldo Serrano (manola), Agmar Dias Pinto (violino), Severino Neves (violão), Orlando (piano), Olívio Magalhães (guitarra), Sevy Falcão (violão), Cícero (do BB) (violão) entre outros.

Eram tocatas noturnas nas quais se ouvia músicas de qualidade e serviam-se canapés e bebidas honestas cortesia do anfitrião.

Dr. Paulo era o guia, o maestro que com um simples olhar enviava uma mensagem de orientação para os músicos. O solo era dele e o ambiente era invadido por páginas musicais de Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Ernesto Nazaré, Waldir Azevedo, Noel Rosa, Jacob do Bandolim, Chico Buarque, Ataulfo Alves entre outros compositores.

Certa vez dirigindo-se a mim ou ao seu filho Paulo, que também estudava na Escola de Engenharia fez a seguinte abordagem:

– Vocês engenheiros não são muito chegados à literatura o que é, sem dúvidas, uma lástima.

– Tem que ler muito para escrever bem.

– Qual de vocês sabe de onde veio a palavra Carnaval? Caro nihil valet.

– E Cadáver?  Cara data vermibus. Ou a carne dada aos vermes. – E adultério? Ad leitorum otrem ire. Ir ao leito dos outros.

Com frequência sinto sua presença e aconselhamentos.

Maurício Montenegro
Engenheiro civil com experiência na gestão de obras públicas e privadas, com familiaridade em planejamento estratégico. Ex-interventor do município de São Miguel de Taipu, ex-secretário de Obras da Prefeitura Municipal de João Pessoa, ex-diretor técnico da Companhia Estadual de Habitação (Cehap), coordenador da elaboração do Plano Diretor do Distrito Industrial de Caaporã, Coordenador da Carta Consulta para obtenção de crédito junto à Coordenação Andina de Fomento (CAF) para obtenção de empréstimo no valor de 100 milhões de dólares destinados à pavimentação e recuperação de rodovias do Estado da Paraíba.

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