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9ª Semana

Secretaria da Saúde abre Semana Estadual da Luta Antimanicomial

Logo após a apresentação teatral, a usuária Maria José Rodrigues, 50, surpreendeu e emocionou a todos cantando a música Balada do Louco, famosa na voz de Ney Matogrosso.

15/05/2019 10h07Atualizado há 3 meses
Por: da Redação

A 9ª Semana Estadual da Luta Antimanicomial, com o tema “A nossa luta continua. #capssim #manicomionao”, foi aberta nesta terça-feira (14) pela manhã pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Coordenação de Saúde Mental. O evento aconteceu no auditório da reitoria da UFPB, na capital. Logo que chegavam, as pessoas eram recepcionadas com performances de usuários do Centro de Atenção Psicossocial – Caps, do município do Conde. A seguir, apresentaram a peça “Mulher do Sol” com destaque para as frases “Respeite a minha dor”; “Preciso de ajuda” e “Ninguém me cala”.

Logo após a apresentação teatral, a usuária Maria José Rodrigues, 50, surpreendeu e emocionou a todos cantando a música Balada do Louco, famosa na voz de Ney Matogrosso: “Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz. Mas louco é quem me diz. E não é feliz, não é feliz...” 

“Veio na alma e gritei o que tava dentro de mim”, disse Maria, que se trata de alienação mental. “Quando cheguei ao Caps, tava sem rumo, sem saída. Hoje, não imagino como seria a minha vida sem o tratamento que recebo lá”, relatou.

Segundo a secretária de Saúde do Conde, Renata Martins, o município está promovendo uma semana de saúde mental na qual estão sendo realizadas atividades envolvendo as famílias; na rádio e em rodas de conversas. “Conseguimos identificar na fala dos usuários que o Caps contribui para a autonomia e o restabelecimento das atividades cotidianas (ir ao supermercado, igreja, praças, etc)”, contou. 
 
Para a coordenadora estadual de Saúde Mental da SES, Iaciara Alcântara, a luta em defesa dos Caps e pelo fim dos manicômios tem que ser entendida de maneira mais ampla. “O Caps é o local de crise e também onde as famílias devem participar e compartilhar. Se não fecharmos o manicômio das nossas cabeças, de nada vai adiantar esta luta que é do ano todo”, observou. 

Ela lembrou que doenças como hipertensão e diabetes, por exemplo, não há necessidade do paciente ser trancado durante o tratamento. “Então, por que as pessoas com transtornos mentais devem ser trancadas? Chega dessa prática”, concluiu.

Programação
No período de 2 a 31 de maio, o evento acontece em vários municípios paraibanos. Em Campina Grande, no dia 2, houve encenação da peça Paixão de Cristo, pelos usuários e funcionários do Caps III Reviver, no Teatro Municipal; no dia 6, em Patos, houve oficinas de arte com os usuários de vários Caps;  dia 7, em Alagoinha, teve Cine Saúde: “Nise da Silveira – o coração da loucura” e no dia 8, em Alcantil, caminhada local da Luta Antimanicomial.

No dia 9, em João Pessoa, aconteceu ciclo de debates em saúde mental, luta antimanicomial e serviço social; sensibilização com adolescentes e familiares sobre a luta antimanicomial no Caps infanto-juvenil Cirandar e “Oficina Florescer: uma experiência de construção coletiva, produção de sentidos e ressignificação do cotidiano em um Caps”. 

O ápice da Semana Estadual de Luta Manicomial será a Marcha da Luta Antimanicomial, na sexta-feira (17), às 15h, no Parque Solon de Lucena (Lagoa), em frente ao Procon Estadual. 
Na Câmara Municipal de João Pessoa, no próximo dia 22, às 14h, terá uma audiência pública sobre o tema de saúde mental. 

Na Paraíba existem 108 Caps e dois manicômios. 

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