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Artigo

Revolução Tricolor

Inspiravam-se na Revolução Tricolor, pela sua pregação à liberdade, igualdade e fraternidade

Inocêncio Nóbrega

Inocêncio NóbregaJornalista e economista, começou aos 18 anos como revisor de "A União" e depois assumiu a coluna "A União há 50 Anos". Escreveu artigos, colunas e reportagens em "O Norte" e "Correio da Paraíba". Trabalhou na Assembleia Legislativa da Paraíba como taquígrafo e Redator de Debates. Tolhido pela ordem política da época, foi duplamente anistiado, político e da API. Escreveu dois livros: "Malhada das Areias Brancas" (1975) e "Independência! No Grito e na Raça" (2009).

16/07/2019 10h04
Por: da Redação

            Crise econômica, injustiças sociais, desvarios dos ricos, na Europa do século XVIII, cumpliciavam tronos aristocráticos. Pari passu, Voltaire afirmara: “Se Itália teve a Renascença, Alemanha, a Reforma, França, sua Revolução”.

            O Romantismo, de Victor Hugo, pregava o liberalismo, espraiando-se pelo território francês e além Continente, atravessando águas oceânicas, alcançando as Américas. Expressando-se através das artes, danças e poesias, amoldava pensamentos de intelectuais revolucionários, ancorados em vários “ismos”: jansenismo, classicismo, galicismo. Conjunto de modernas ideias centralistas faziam tremer tronos e cleros.

            Livros e notícias aportavam no Brasil, pelos jornais trazidos por passageiros, certas vezes emitindo depoimentos pessoais. Aqui, abril de 1789, idealistas de Vila Rica conspiravam contra o empedernido Visconde de Barbacena o qual, entretanto, conseguiu abortar a conjuração dos insurretos mineiros, que já criaram sua bandeira, nela uma legenda latina e uma figura geométrica de três vértices, traduzindo o aforismo ideológico autonomista. Inspiravam-se na Revolução Tricolor, pela sua pregação à liberdade, igualdade e fraternidade.

            Espelhados nesse princípio e na queda da Bastilha, a 14 de Julho daquele ano, pelo menos nas Américas, tremulam bandeiras de três cores. A primeira das colônias foi Haiti, resultado da Revolta dos Escravos. Seguiram-se outras: Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Panamá, Uruguai, vinte ao todo, oficializaram seus estandartes tricolores, numa clara homenagem à trilogia revolucionária francesa. A nossa, optou pelo verde-amarelo da dinastia bragantina, não obstante pretendendo representarem nossas matas e o ouro, paulatinamente subtraídas do patrimônio nacional.

            Por que não considerar que agremiações esportivas levam aos seus aficionados, nas quadras ou nos gramados, estampadas em suas camisas tricolores, embora variando de combinações, a mensagem da grande Revolução de Julho? Os males ainda persistem na atualidade, através dos constantes desrespeitos à dignidade e  aos direitos humanos, especialmente das classes menos favorecidas.

Jornalista

inocnf@gmail.com                                                                   

 

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