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Casos e Acausos

434 anos de um cotidiano que nos acolhe

Quando saí de Pombal, aos 18 anos, a mala veio cheia, principalmente, de indecisões, dúvidas, expectativas e medos

Romye Schneider e seus Acausos

Romye Schneider e seus AcausosCom nome de estrela de Hollywood, ela é paraibana de Pombal, jornalista e humorista. Gosta tanto de contar histórias que já fez isso em vários veículos. Por mais de 10 anos foi repórter de TV (Tambaú e O Norte) e, atualmente, faz standups onde conta histórias do cotidiano de maneira engraçada. Esta coluna será também um espaço para compartilhar estas histórias que vão desde fatos e observações do dia a dia, memórias, reflexões, sempre com pitadas de bom humor.

05/08/2019 11h21
Por: da Redação
Paraíba Palace Hotel, um dos mais belos prédios do Centro
Paraíba Palace Hotel, um dos mais belos prédios do Centro

Estou eu próxima a uma faixa de pedestre, quando escuto:

- Romye, deixa eu passar! 

Quando vi o sorrisão da minha amiga Denise, logo pensei: - em que outra capital aconteceria esta intimidade transitual? 

Certo dia, fiquei presa do lado de fora de casa e tome a ir de um lado pro outro, a fim de resolver o problema. Foi quando Susy, minha vizinha que vende cachorro quente em frente à minha casa, ofereceu ajuda. 

- Oh mulher, você faria isso? 

E mal perguntei, ela já tava subindo num mói de tamborete e, depois, deu um pinote por cima do muro e, em questão de segundos, lá vinha ela, ninja, com a chave. 

Novamente pensei:em que outra cidade a solidariedade bate a nossa porta assim, neste caso, literalmente?

Quando saí de Pombal, aos 18 anos, a mala veio cheia, principalmente, de indecisões, dúvidas, expectativas e medos, sentimentos que afloram na adolescência. Fui acolhida por João Pessoa. Quando cheguei por aqui, fiquei, finquei raiz e permaneci, me sentindo em casa. Sempre. Nessa brincadeira lá se vão 32 anos, feitos no último dia 1º de agosto.

Três décadas num lugar onde passei a escrever a minha vida; primeiro, fazendo Jornalismo (UFPB); passando por boa parte dos veículos de comunicação; tive dois filhos; fiz inúmeros amigos, amores e sempre estou tentando inventar, reinventar, fazer e achar graça. Pois, este cotidiano da nossa linda capital paraibana, que lembra muito cidade do interior, pela sua pureza,  é um roteiro perfeito para show de humor.

Vamos conferir? Na primeira vez que fui a UFPB, tava mais perdida do que cego em tiroteio. Tome a andar e quando vi que o destino não chegava nunca, comentei:

- Oxe, e a gente não chega na universidade mais não? Fica só nesse lugar enorme, cheio de mato e não sai do canto. Fica só pra cima e pra baixo. Vôte!

 Foi quando meu primo respondeu:

– Criatura, a gente já chegou na universidade já faz é tempo. 

Tem também a recém-chegada do interior amostrada. No caso, eu. Morava perto da Lagoa e toda vez que passava perto, dizia a mim mesma: - Não acho que esta Lagoa seja tão grande não. Qualquer dia, vou correr. Pois, não é que chegou esse dia? As amigas todas animadas chamando pra caminhar. E eu:

- Caminhar nada. Eu vou é correr!

Nem escutei minhas companheiras que tentavam me alertar pra que fosse devagar. Basta! Meti foi o pé na carreira. Na terceira passada, já tava com meio palmo de língua de fora e parei dizendo pra mim mesma: vai! Você não disse que a Lagoa era pequena? Logo botei o rabinho entre as pernas e fui caminhar com as amigas que, lógico, perguntaram: 

- Oxe, e não vai correr mais não? 

- Oh minha gente, não se prenda a detalhes.

Tanto tempo por aqui e o acolhimento não para. Minha mãe, irmãos e sobrinhos vieram todos do interior e moram praticamente todos juntos, por trás da minha casa. Porque João Pessoa é assim como a minha família: todo mundo junto, dividindo tudo e abrindo os braços sempre que precisar. 

São 434 anos de um cotidiano que nos acolhe.

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