Opinião

A Paraíba e seus problemas

O livro foi composto e impresso pela A UNIÃO Companhia Editora, para a Secretaria da Educação e Cultura

Maurício Montenegro

Maurício MontenegroMaurício Montenegro. Natural de Taperoá, interior paraibano, estudou no Lyceu Paraibano e no Colégio Diocesano Pio X e se formou em Engenharia pela Escola de Engenharia da UFPB Turma de 1966. Foi por muitos anos chefe de Departamento da extinta Saelpa.

14/09/2019 08h34
Por: da Redação

Acabo de ler “A Paraíba e seus problemas” escrito em 1923 e reeditado em 1980, por encomenda do Governador Burity, em homenagem aos 93 anos do seu escritor o ministro José Américo de Almeida.

O escritor “solitário de Tambaú” apresenta-se mais como sociólogo que romancista.

Trata-se de uma descrição corográfica e sócio-política do nosso Estado.

 Um trabalho abrangente e de muita profundidade. Uma narrativa de alta fidelidade onde o autor estuda a índole e as virtudes do povo paraibano e na parte política faz revelações curiosas e interessantes. O livro tem quase um século, mas como diz seu prefaciador, o historiador José Honório Rodrigues, “ainda tem viço e força e terá por muitos anos”.

Discorrendo sobre o problema das secas Dr. José Américo transcreve dois relatórios encaminhados ao Governo Imperial, apontando dez recomendações como remédios para sanar os efeitos da estiagem, produzidos por uma comissão criada pelo Barão do Rio Branco, então Presidente da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. Um produzido pela minoria e outro pela maioria.

A 7ª recomendação do relatório da minoria recomenda:

Mandar vir do oeste dos Estados Unidos certo número de lavradores, munidos de todos os utensílios e machinas ali usadas para ensinar agricultura pratica aos retirantes”.

Ainda sobre o mesmo assunto encontrei algumas pérolas como o despautério do Sr. André Rebouças sugerindo ao Governo Imperial, que “fosse solicitada a remessa de grandes alambiques para destilação de água do mar”.

Recordei um episódio que testemunhei quando certo Governador deste Estado, de mandato tampão, recomendou a um Secretário atirar sacos de anil para “azular” a água do mar e assim impressionar empresários portugueses da indústria hoteleira que iriam fazer um sobrevôo em nossas praias.

O livro foi composto e impresso pela A UNIÃO Companhia Editora, para a Secretaria da Educação e Cultura do Estado em 1979 mas não envelhece, continua atual em função da dialética criadora do autor. Vale à pena conferir.

 

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