Novo capítulo

Tomógrafo do Hospital Laureano fica sem funcionar, deixa pacientes sem assistência e direção dá explicações desencontradas

Desde a semana passada que o equipamento que salva vidas está sem funcionar e não há previsão para conserto

08/10/2019 11h26Atualizado há 1 semana
Por: da Redação
Fonte: Redação Fatospb
O Laureano é a maior referência no tratamento do câncer na Paraíba
O Laureano é a maior referência no tratamento do câncer na Paraíba

Mais um capítulo da novela sobre o caos que tomou conta do Hospital Napoleão Laureano, principal referência no tratamento do câncer na Paraíba, se desenrola e surge com um enredo que pode provocar mortes de pacientes que dependem unicamente do SUS para tentar a cura da doença.

Desta vez o problema é no tomógrafo, que está sob a responsabilidade terceirizada da empresa Azuil Arruda, pertencente ao médico Osias Arruda, médico do próprio hospital e sobrinho do médico Antonio Carneiro Arnaud, presidente da Fundação Napoleão Laureano, mantenedora do Hospital Napoleão Laureano.

O equipamento está sem funcionar há cerca de uma semana e informações nos corredores do hospital dão conta de que o tubo do aparelho teria quebrado e que a empresa terceirizada estaria se negando a mandar consertar.

De acordo com um especialista no assunto de dentro do hospital que pediu para não se identificar, sem o Tomógrafo fica impossível o diagnóstico da existência do tumor para posteriormente  biópsia para verificar o estadiamento do câncer   (também chamado de estágios do câncer) , ou seja,  a descrição (geralmente em números de I a IV) de quanto o câncer já se espalhou pelo corpo.

“O estágio geralmente leva em conta o tamanho do tumor, o quão profundo ele está penetrado, se já invadiu órgãos adjacentes, se e quantos linfonodos (gânglios linfáticos) entraram em metástase e se ele está espalhado em órgãos distantes”, explica.

E ele continua lembrando que o  estadiamento do câncer é imprescindível porque o estágio no diagnóstico é um importante indicativo do prognóstico, para planejamento dos tratamentos mais adequados e previsão das possíveis complicações  após o tratamento.

A principio, um dos conselheiros do Hospital Laureano informou que o equipamento não estava quebrado, mas estaria passando apenas por uma revisão. Leia abaixo o diálogo com o conselheiro que pediu para não ser identificado.

Fatospb - Boa tarde. Recebemos informações de que o tomógrafo do Laureano estaria quebrado.

Conselheiro - Quebrado não, em manutenção.  Afinal de contas é uma máquina e necessita de revisa!

Fatospb - Tem previsão?

Conselheiro - A equipe de Engenharia Clínica está trabalhando e provavelmente próxima semana retorna.

Fatospb - Informações dão conta que o tubo quebrou e que o sobrinho do presidente do hospital, Carneiro Arnaud, estaria esperando que o hospital pague o conserto.

Conselheiro -  Tubo não quebra! Informação desencontrada. Revisão!

Fatospb - Quem pagará a revisão?

...

Fatospb - Soubemos que as consultas estão suspensas por causa dessa revisão.

Conselheiro - Na próxima semana estará ok

Fatospb -  Estamos precisando de uma versão oficial sobre essa questão. Qual o contato do engenheiro clínico do hospital? Gostaríamos de fazer umas perguntas a ele.

Conselheiro - Não tenho! Posso passar o do diretor financeiro da Fundação (Marcelo Lucena).

Diretor financeiro da Fundação Laureano, Marcelo Lucena

De posse do contato do diretor financeiro da Fundação Laureano, Marcelo Lucena (casado com uma sobrinha do presidente da Fundação e diretor presidente do hospital, Carneiro Arnaud), a reportagem do Fatospb entrou em contato na noite do último sábado com ele e travou a seguinte conversa:

Fatospb - Recebemos informações de que o tubo do tomógrafo do Hospital Napoleão Laureano quebrou, mas há outras informações de que, na realidade estaria havendo uma revisão. O que está havendo realmente?

Marcelo Lucena - Temos uma empresa que presta serviço que faz parte da engenharia clínica, mas quem dá o diagnóstico é o técnico da Siemens. Mas como não tem nenhum técnico aqui por perto, ele vem de outro estado, de São Paulo. Temos que aguardar por ele. Isso aconteceu essa semana (semana passada) e a gente está aguardando a vinda dele. Até então não se tem nenhuma confirmação de que foi o tubo do tomógrafo.

Fatospb - O fato é que sem tomografia muitos pacientes estão sem poder dar início ao tratamento do câncer, podendo, inclusive, causar mortes.

Marcelo Lucena - Com relação aos pacientes nenhum vai  ser prejudicado. A gente faz remanejamento com outros hospitais que podem dar esse apoio momentâneo. Nenhum paciente vai ficar prejudicado.

Fatospb - Tentamos conseguir o contato do engenheiro clínico para saber o que realmente aconteceu, mas um conselheiro do hospital não soube informar e nos deu o contato do Sr.

Marcelo Lucena - A verdade é que estamos esperando o técnico da Siemens para saber o que realmente aconteceu. Se for peça faltando isso leva certo tempo para se resolver. Mas também pode ser alguma coisa simples, de reprogramação ou manutenção, que a própria Siemens resolva em pouco tempo. Mas o fato é que a Siemens ainda não enviou um técnico para isso, devido a não ter técnico aqui para resolver a questão rapidamente.

Fatosp - A informação que obtivemos é de que a empresa terceirizada para cuidar do equipamento estaria se esquivando em pagar o conserto e que caberia à direção do Laureano arcar com as despesas.

Marcelo Lucena - O fato da empresa responsável pelo tomógrafo estar se esquivando não procede. Ela está em dia com o Hospital. Está tudo direitinho com as suas obrigações junto ao hospital e nada disso procede.

Fatospb -  Quais são as clínicas que o Laureano tem convênio para atender os pacientes durante esse período? Pelo contrato que existe há uma cláusula de exclusividade com a clínica do sobrinho do presidente do hospital, a Clínica Azuil Arruda

Marcelo Lucena - Temos parceria com o Dom Rodrigo. Não há exclusividade!

Confira abaixo aditivo de contrato, onde consta a cláusula de exclusividade:

Fatospb - O Dom Rodrigo vai dar prioridade aos pacientes do SUS?

Marcelo Lucena - Se o tomógrafo está com problema tem que ser remanejado os pacientes.

Fatospb -  A clínica Azuil Arruda vai receber menos esse mês?

Marcelo Lucena - Com certeza

Fatospb - As consultas continuam sendo realizadas normalmente e os pacientes encaminhados para o D om Rodrigo. É isso?

Marcelo Lucena – Sim. E outras parcerias que temos, mas principalmente o Dom Rodrigo

Fatospb -  Quais são as outras clínicas que possuem tomógrafo  em João Pessoa que o Laureano tem parceria?

Marcelo Lucena - Agora não consigo dizer com precisão, mas lembro da Tomocenter.

 A reportagem do portal Fatospb procurou no início da tarde desta segunda-feira, 7, o Hospital Napoleão Laureano para saber se o problema do tomógrafo estava solucionado e foi informado pelo setor de radiologia que o equipamento estava em revisão e que  ainda não havia previsão para o retorno dos exames.

Perguntado se havia algum convênio do hospital com alguma clínica da Capital para a realização dos exames, a exemplo do que nos foi informado pelo diretor financeiro da Fundação Laureano, a resposta foi simples e direta: Não!

O Fatospb procurou então o Hospital Dom Rodrigo, citado pelo diretor da Fundação e marido da sobrinha do médico presidente do Laureano Carneiro Arnaud. Depois de passar cerca de cinco minutos à espera de uma resposta, por telefone, tendo a ligação passada por vários setores, ela caiu.

Na segunda tentativa,  uma atendente do Dom Rodrigo revelou que lhe foi passada a informação de que na última sexta-feira teria havido uma reunião entre a direção do Laureano e a do Dom Rodrigo para se fazer uma parceria para receber os pacientes do HNL, mas que só nesta terça-feira poderiam dar melhores informações.

O Fatospb entrou em contato com a Clínica Tomocenter, localizada no Centro da Capital, também citada pelo diretor financeiro Marcelo Lucena. A resposta foi a que já se esperava: “Não existe parceria entre o hospital e a clínica”. Uma pessoa que pediu para não se identificar explicou que o Dom Rodrigo recebe pacientes do SUS, mas que são encaminhados pelos PSFs, mas que não há convênio com o Laureano.

O fato de não haver convênio entre o Hospital Napoleão Laureano e as clínicas de João Pessoa que possuem tomógrafos é que existe um contrato de exclusividade entre a Fundação Laureano e a Clínica Dr Azuil Arruda LTDA. Confira o documento abaixo:

Em matéria postada em setembro deste ano no portal de notícias Paraibaradioblog, o jornalista Thiago Moraes mostra que além de ocupar cargo estratégico dentro do hospital onde a empresa de sua propriedade presta serviços, Ozias Arruda é sobrinho e sócio do presidente da Fundação Napoleão Laureano, Carneiro Arnaud, em uma outra empresa, a Fundação Dalva Carneiro Arnaud, localizada no município de Pombal, Sertão paraibano, conforme documento abaixo:

Há cerca de seis anos o Hospital Laureano conseguiu comprar um tomógrafo e o que lá estava, pertencente a Clínica Azuil Arruda, foi levado para o município de Pombal, para servir à Fundação Dalva Carneiro Arnaud e está funcionando perfeitamente, enquanto o do hospital, talvez por falta de manutenção preventiva ou de revisão, está sem poder atender aos pacientes do SUS.

 

Equipamentos sem funcionar - Os equipamentos comprados recentemente como a Gama Câmara e o PET-CT estão ainda sem funcionar. Já  Ressonância Magnética só está funcionando para exames em particulares e não pacientes do SUS. Equipamentos novos sem atender aos pacientes do SUS e os antigos, já obsoletos  estão com defeitos. Uma prova da mais absoluta falta de critérios e planejamento por parte da atual administração do hospital.

O jornalista Thiago Moraes  se fez passar por um paciente e fez uma gravação tentando marcar um exame de abdômen total,  mas foi informado que só era possível para pacientes particulares e o valor cobrado é de R$ 700. Veja a matéria completa clicando AQUI ou acessando o link: https://www.paraibaradioblog.com/2019/09/18/no-laureano-equipamento-comprado-com-dinheiro-publico-atende-apenas-pacientes-particulares/

Tubo de raio X  - É formado pela cápsula que envolve a radiação, pelo catódio (que libera elétrons) e pelo anódio rotatório (responsável pela transformação dos elétrons em raios-X).

A tomografia computadorizada é, de maneira bem simplista, uma espécie de raio-x que enxerga em 360 graus. Por isso, o exame gera imagens em fatias, que podem ser analisadas de qualquer ângulo. De resultado rápido, está disponível na maioria dos hospitais, tanto para emergências quanto para o diagnóstico de lesões ortopédicas e na investigação de doenças como câncer e AVC.

Os aparelhos de tomografia computadorizada mais modernos captam imagens detalhadas que reconstroem tridimensionalmente partes do corpo e dão aos médicos uma visão fiel do esqueleto, dos pulmões e das vias aéreas, além de outros órgãos internos.

Para que serve - Serve para diagnosticar inúmeras doenças e pequenas alterações em vários setores do organismo humano. Por exemplo: a tomografia pode avaliar traumas cranianos ou, por causa dos seus resultados rápidos, para planejar seu tratamento do câncer o radioterapeuta precisa, inicialmente, determinar o tamanho e a localização exata do tumor. Isso, geralmente, é feito através da criação de uma imagem tridimensional detalhada do tumor com uma tomografia computadorizada.

Dependendo da localização do tumor, tipo de doença e de outros fatores, podem ser solicitados exames adicionais, que podem incluir uma ressonância magnética, uma tomografia, ultrassom, ou, ocasionalmente, uma tomografia por emissão de pósitrons.

O radioterapêuta poderá girar a imagem na tela do computador de modo         a visualizar o tumor de diferentes ângulos. As informações obtidas com o equipamento de imagem, o tomógrafo computadorizado, por exemplo, são diretamente transferidas para o computador de planejamento do tratamento.

Enquanto se espera o técnico da Siemens chegar de São Paulo e uma ação administrativa urgente, os pacientes do SUS ficam na esperança de uma solução imediata para que a doença não se agrave e possa fazer o exame, pois sem o Tomógrafo fica impossível o diagnóstico da existência do tumor para posteriormente  biópsia para verificar o estadiamento do câncer.

 

 

 

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