Revelações da Independência II

Invasão à Bahia – Com a decisão de Pedro I de permanecer no Brasil, de imediato Portugal enviou um contingente, mais de 750 homens, a fim de reforçar a Divisão Auxiliadora, que havia sido expulsa do Rio de Janeiro. O navio trazia recomendação ao nomeado comandante das Armas na Bahia, o brigadeiro Luís Madeira de Melo,  de aí concentrar suas tropas. A estratégia era tê-la como ponta de lança para a efetivação do domínio luso do nordeste ao norte, dividindo o território brasileiro em duas partes. 

No início de 1821 iniciam-se as escaramuças, as quais perdurariam por quase dois anos, com a perda de milhares de vida, em frequentes lutas nos rios, morros, choças. Com a notícia de que os baianos resistiriam,  a esquadra portuguesa ruma à Vila de Cachoeira, de importância política, e que logo se constituiria num foco revolucionário. A Câmara local, em solene sessão, a qual contou com “Te Deum”, na Igreja Matriz de Nª Srª do Rosário, celebrado pelo padre Francisco Gomes dos Santos,  preparou a resistência. A população cachoeirense havia aclamado o então Príncipe Regente imperador do Brasil. Autoridades e o povo foram convidados para o Ato. 

Tambor Soledade – Duplaquet, novo comandante, numa ação intimidatória, determinou que soldados seus desfilassem, ostensivamente, na Vila.  Os brasileiros não gostaram, havendo, dois dias, 26 e 27 de junho, de contínuos combates.  A Câmara dispunha de um Ordenança, de absoluta responsabilidade e confiança, estimado pelo seu povo,  conhecido, apenas, pelo apelido de “Soledade do Tambor”,  Isso porque tinha a função de passar ordens às nossas tropas, formadas de maneira improvisada, por meio dos toques de tambores. 

Enquanto as autoridades se refugiavam no prédio da Câmara foi ele atingido por estilhaços da canhoneira inimiga, caindo agonizando, ocorrendo sua morte. Quadro de Antonio Parreira, de 1831, conhecido pintor fluminense, denominado de Primeiro Passo para a Independência do Brasil, por encomenda do governador Vital Soares, encontra-se afixado em Posto de Gasolina, próximo à extinta Estação do Trem, em Cachoeira.  Trata-se de homenagem a um personagem e  herói da Independência do Brasil, nesse Estado, embora tanto olvidado pela literatura de nossa história. Não há maiores registros quanto a sua memória. Se era mulato, não sabemos. Apenas da sua presença, como soldado, na Praça da Aclamação, em Cachoeira, onde ocorreu a luta, entre o Rio Paraguaçu e Casa da Câmara, na manhã de 22 de junho de 1822. Talvez um caso de discriminação racial, fato que inflamou os cachoeirenses, apressando o retorno da embarcação lusa.

Inocêncio Nóbrega
Inocêncio Nóbrega Filho, nasceu no município de Soledade - PB. Economista, historiador e militante do Jornalismo, há mais de 50 anos. Ingressou na vida de escritor, com o lançamento em 1974, do livro Malhada das Areias Brancas., onde faz um levantamento histórico de sua terra natal. Sua mais recente obra é "Independência! No Grito e na Raça", onde faz uma retrospectiva da Independência do Brasil.

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